Itinerário neoplatônico

Olhe a lua, meu bem
olhe como ela influencia as marés
tsunami sombria
encaixotando a reflexão
do brilho lunar
e desviando esse nosso comum
ponto de paz
da minha visão central
túrbida, perco-me
em redemoinhos versificados de
Ezra Pound, Envoi
naufrageio
na minha oceânica solitude

submersa e fria
encontro-me em solidificação
desprendida das
geleiras do nosso próprio
oceano ártico
vagando, só, iceberg
pela corrente marítima ao fluxo das águas
que me afastam
de você
hipotermia

apenas olhe a lua, meu bem
olhe como ela reflete
sua imagem verossímil:
traços e linhas da sua imperfeita
simetria facial, como coordenadas da minha
bússola vital
profundidade e posição do seu
calor corporal, como ponteiros do meu
astrolábio
que apontam
seu norte
seu sul
seu leste
nosso oeste
onde o amor ancora
em desatino
e me guia, como Ginsberg, construindo uma ponte
entre o Modernismo de Ezra e o Surrealismo francês
ao meu inefável
ponto de paz

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9 comentários sobre “Itinerário neoplatônico

  1. Estou apaixonada pelo seu blog! Simplesmente mágico essa travessia de olhar, entre essência, ciência e um conteúdo propriamente dito, que você proporciona. O ritmo das palavras, tão calmo e sublime, nos leva a vagar dentro das suas poesias, ao mesmo tempo em que nos envolve nas sílabas.
    Fico lendo e lendo, e a cada vez sinto uma sensação nova. Maravilhada! Parabéns!!

    Curtido por 1 pessoa

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